A política é um jogo de xadrez. Joga-se com paciência, muita estratégia e concentração, sendo os melhores não necessariamente mais agressivos ou mais conservadores, mas aqueles que conseguem preservar suas peças enquanto vão, pouco a pouco, minando as peças dos seus adversários.
Enxadristas estudam diversas aberturas. Abertura é o nome dado à parte inicial do jogo, em que o posicionamento das peças é essencial e todos os movimentos são previamente estudados com muito afinco. Não se engane, pois cada peça – da rainha ao peão – é fundamental para que se possa estar bem posicionado para as outras duas etapas do jogo: o meio-jogo e o fim da partida.
Em Timbiras, todos jogam também. O jogo político é um processo no qual, assim como no xadrez, qualquer erro pode sair muito caro, custando a vitória. Por isso, é necessária muita reflexão antes de se executar qualquer movimento. Naturalmente, alguns políticos jogam melhor que outros – não se pode esperar a excelência universal, afinal, alguém sempre precisa sair perdendo. Aprender com os erros também é importante nesse sentido, já que o erro de hoje pode ser a vitória de amanhã.
No jogo de xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. Na política, também existe um timing e quem não o conhece ou não o respeita, ganha o estigma de perdedor. Tancredo Neves não era um grande administrador, nem estava entre os melhores oradores do Congresso Nacional, mas tinha um timing político perfeito e em consequência disso foi quase tudo o que quis ser na política, menos Presidente, porque daquela vez prevaleceu o timing divino.
O xadrez prevê a promoção do peão, quando ele atinge a última fila do tabuleiro e é trocado por outra peça, de maior importância, à escolha do jogador , mas estabelece um limite: Não pode ser trocado por outro peão nem pelo rei.
Na política também deveria ser assim: o peão só seria promovido depois de alcançar a última fila do tabuleiro e assim mesmo respeitando o rei ou o líder maior, que ele jamais poderá ser.





