Os sem oportunidades das coisas do mundo.
Os sem riquezas herdadas,
sem os trajes bem vestidos,
sem uniforme da escola na infância.
Os que não são dignos de aplausos, nem mesmo de olhares de admiração.
Aqueles que nunca viram a luz do sol.
Aqueles que se vão sem exéquias.
Vêm e vão despercebidos da mesma maneira que são ignorados nas ruas.
Os que vivem às margens da sociedade,
que foram abandonados nos abrigos,
os que se abrigam debaixo das pontes, manchando a paisagem.
Onde estão, se são tantos?
Nos campos sob o sol e a enxada,
nos guetos e becos sujos e frios,
nas filas dos hospitais, esperando uma cura que nunca chega,
no olhar do homem velho, já sem esperança nem fé,
nas mãos calejadas da mãe que alimenta o filho.
Estão por todos os lugares,
nas sombras da sociedade,
na escória do mundo
e, apesar de serem muitos, parecem ser invisíveis.
E, mesmo assim, resistem, apesar da escuridão e indiferença.
Walterli Lima





