COLUNA DO PROFESSOR WALTERLI LIMA: EU, ARREDIO

EU, ARREDIO

 

As ruas não me pertencem.

Sou um estranho, um retardatário nesta corrida veloz.

Atarefado nas correntes do trabalho para o qual ainda obrigo-me a agradecer todos os dias num sentimento que tece os fios das algemas da rotina.

A vida carece de doses diárias de inscícia para seguir existindo.

Serei eu mais ou menos feliz ?

A felicidade é um dilema pendente para o dia por vir num equilíbrio frágil entre a obrigação e o êxtase.

Caminho só, encoberto de sombras urbanas como um livro negligenciado ao alcance das mãos ao final da estante para inalcançáveis pensamentos reais.

Agente sonha com tanta coisa, sonha em ter o que não tem, ser o que não é porque a realidade dói.

O cão na calçada, testemunha silenciosa, guarda em sua ingenuidade o sonho da liberdade da perseguição das rodas que cortam asfalto.

E as mentes evoluídas, se existem, decifram o complexo desafio dos abismos entre o sonhar e o ser ?

Eu, mera alma errante, que tenho falado às paredes em silêncio, só sei pensar.

 

@walterli.lima

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