EU, ARREDIO
As ruas não me pertencem.
Sou um estranho, um retardatário nesta corrida veloz.
Atarefado nas correntes do trabalho para o qual ainda obrigo-me a agradecer todos os dias num sentimento que tece os fios das algemas da rotina.
A vida carece de doses diárias de inscícia para seguir existindo.
Serei eu mais ou menos feliz ?
A felicidade é um dilema pendente para o dia por vir num equilíbrio frágil entre a obrigação e o êxtase.
Caminho só, encoberto de sombras urbanas como um livro negligenciado ao alcance das mãos ao final da estante para inalcançáveis pensamentos reais.
Agente sonha com tanta coisa, sonha em ter o que não tem, ser o que não é porque a realidade dói.
O cão na calçada, testemunha silenciosa, guarda em sua ingenuidade o sonho da liberdade da perseguição das rodas que cortam asfalto.
E as mentes evoluídas, se existem, decifram o complexo desafio dos abismos entre o sonhar e o ser ?
Eu, mera alma errante, que tenho falado às paredes em silêncio, só sei pensar.
@walterli.lima





