Qualquer dia desses, irei para os confins do mundo, longe da terra endurecida pelo peso de pés apressados.
Onde os relógios ainda não foram inventados e o dinheiro não contaminou as mãos.
Um lugar sem o ruído das máquinas e o ranger enferrujado das engrenagens da civilização.
Lá, as aparências não têm valor, e as vidas não são ocultadas por máscaras de felicidade forjada.
Ali, não há papéis carimbados que aprisionam sonhos, nem cavernas digitais onde as telas luminosas cegam os olhos para a realidade.
Por lá, o corpo não é escravo do trabalho, nem a mente refém das ilusões.
Tudo é o que simplesmente é, sem a necessidade dos rótulos que classificam as embalagens.
Só o sol, nos dias de sol.
Só a chuva, nos dias de chuva.
Há somente o que sempre existiu desde o começo de tudo: a vida fluindo naturalmente, sem esforço nem pressa.
Walterli Lima





