Na paisagem do horizonte que apaga o sol ao cair do dia, o rio se confunde com o tempo.
Tempo que morre lentamente sobre as águas.
Foram-se as lavadeiras, e com elas o som das roupas batendo nas tábuas que ecoava pelas margens.
Também se foi o velho pescador, com suas redes entrelaçadas, há muito desgastadas pelo uso.
Mudou aos poucos a paisagem, dia após dia.
Fez-se esquecimento daqueles que nas águas encontraram o fim. Seus nomes se perderam, suas histórias tragadas pela correnteza.
Já não se fala da Boca da Barra e dos peixes que não existem mais.
E lentamente o rio se vai, sem alardes ou gritos de adeus, como a tarde que se afoga nas águas.
Walterli Lima





