Coluna do Professor Walterli Lima

Na paisagem do horizonte que apaga o sol ao cair do dia, o rio se confunde com o tempo.

Tempo que morre lentamente sobre as águas.

Foram-se as lavadeiras, e com elas o som das roupas batendo nas tábuas que ecoava pelas margens.

Também se foi o velho pescador, com suas redes entrelaçadas, há muito desgastadas pelo uso.

Mudou aos poucos a paisagem, dia após dia.

Fez-se esquecimento daqueles que nas águas encontraram o fim. Seus nomes se perderam, suas histórias tragadas pela correnteza.

Já não se fala da Boca da Barra e dos peixes que não existem mais.

E lentamente o rio se vai, sem alardes ou gritos de adeus, como a tarde que se afoga nas águas.

 

Walterli Lima

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