Dei-me água pura da nascente, eu tenho sede.
Leva-me para longe daqui,
Para longe dos rios com suas águas turvas,
Das ruas fadadas e cruzadas por gente.
Eu, de face nua e marcada , de olhares cansados, manchados pelo peso e o perigo.
Quero deitar sobre a paz dos passarinhos.
Quero a pureza dos bosques sozinhos.
Quero o cheiro das manhãs sem fim.
E quando a luz resolver partir como tudo um dia há de ir e o pranto se apossar sobre meu ser, vou voltar a ser menino.
Sim, aquele menino ingênuo que fui um dia,
Colhendo frutas verdes na árvore, de cotovelos postos na mesa esperando o jantar,
Sem nada saber sobre o mundo.
Mundo de meias-verdades e mentiras completas.
E sem nada saber serei mais feliz porque não há grandeza maior do que no tudo desconhecer.
Walterli Lima





