Coluna do Professor Walterli Lima

Dei-me água pura da nascente, eu tenho sede.

Leva-me para longe daqui,

Para longe dos rios com suas águas turvas,

Das ruas fadadas e cruzadas por gente.

Eu, de face nua e marcada , de olhares cansados, manchados pelo peso e o perigo.

Quero deitar sobre a paz dos passarinhos.

Quero a pureza dos bosques sozinhos.

Quero o cheiro das manhãs sem fim.

E quando a luz resolver partir como tudo um dia há de ir e o pranto se apossar sobre meu ser, vou voltar a ser menino.

Sim, aquele menino ingênuo que fui um dia,

Colhendo frutas verdes na árvore, de cotovelos postos na mesa esperando o jantar,

Sem nada saber sobre o mundo.

Mundo de meias-verdades e mentiras completas.

E sem nada saber serei mais feliz porque não há grandeza maior do que no tudo desconhecer.

Walterli Lima

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