São dinâmicos e mutáveis os limites entre o louco e o lúcido, o desajustado e o reto, a rebeldia e a submissão.
O lúcido pode cair na loucura ao menor dos desvios.
Sanidade é tão frágil quanto neblina ao chegar do dia.
O reto se desajusta porque a rotina cansa. Conformidades são passageiras.
O submisso é forçado a rebelar-se com a morte do rei.
Os loucos têm suas razões, assim como o desajustado, suas verdades e o rebelde a esperança de insurreição.
Sou qualquer coisa entre loucura e lucidez, exatidão e desalinho, rebeldia e submissão. Qualquer coisa entre o ser e o parecer, a ordem imposta e a liberdade sonhada.
Não carrego nada nas mãos, pois tudo pode ser furtado: o tempo, a glória, o conhecimento.
Sou lúcido o bastante para compreender os limites entre sonho e realidade e louco o suficiente para não aceitar o impossível.





