Acordo, ainda é cedo.
Madrugada de sono interrompido.
Abro a janela e o dia adentra no meu ser numa realidade inevitável, mais uma vez.
Leio nos jornais a notícia de ontem:
– Tempo é dinheiro.
Como que por instinto realizo as tarefas diárias.
Hábitos e deveres.
Degusto o café e vou para o trabalho sem perder-me nas horas, afinal, tempo é dinheiro.
Meio-dia.
Mastigo os alimentos na mesa vigiado de perto pelo relógio que, como numa ordem dita de um superior a um subalterno, me diz:
– É hora de voltar ao trabalho.
Segundos e minutos se atropelam, o dia ensaia sua despedida e o crepúsculo da noite não demora a chegar.
Mais um dia de vida se passou feito um trem que passa na estação no horário marcado.
Na noite, junto aos meus, desfruto as sobras das horas em ócio antes de dormir.
Homem produtivo, senhor e escravo de si.
Alienações despercebidas do mundo moderno.
No cansaço, deito-me na cama.
Corpo imóvel, mente inquietante.
Reviro as horas do dia que passou e as que estão por vir.
Ligo o despertador na cabeceira num ato de esperança de que o amanhã virá e pergunto-me em silêncio:
Se tempo é dinheiro, quanto vale a felicidade?
Em que cifras se conta um instante de paz?
Qual o valor das horas de vida ?
O sono agarra-me vagamente e os pensamentos se dissolvem em paisagens oníricas.
No sonho o tempo não existe, nele eu sou livre.
Walterli Lima.





