SINAL FECHADO
Labirinto sem saída, destino.
Desalinho.
Vidas, ruelas escuras.
Escusos poderes ausentes.
Minha gente, de cruz sobre os ombros.
Sem história nem caminhos.
Desatino.
Vela a dor em silêncio.
Segue os dias em contratempos.
Suporta a fome e a sede.
Sinal fechado.
No prato, migalhas,
ao corpo que trabalha,
sem sombras ou descanso.
Gente que vive,
ou melhor, sobrevive,
à falta de chuva, piedade e pão.
São tantos meninos nas ruas.
Ontem, invisíveis.
Hoje, excluídos.
Amanhã, ausentes.
É dor,
é mágoa,
é sofrimento.
Quanto peso nos ombros dessa gente,
que mesmo assim segue em frente.
Ri quando deve chorar.
Cala quando deve gritar.
E, no chegar da noite, em preces, agradece por mais um dia.
Walterli Lima





