Eu não sou a profissão exercida durante décadas.
Eu não sou os diplomas e títulos expostos nas paredes.
Eu não sou as infinitas idas à escola nem as lições que aprendi diante da professora primária de semblante sisudo.
Tantos outros não viveram ou não vivem nada disso e ainda assim seguem existindo.
Superficialidades tal como a casca cobrindo o âmago da maneira.
O meu eu está além das aparências e das conquistas tangíveis.
Sou o que aprendi quando estava distraído.
Sou as emoções que sinto na conexão com os outros e com a natureza.
Não me causa tristeza nem entusiasmo derrotas ou vitórias, nem uma ou outra pertence a mim.
Eu sou os pequenos gestos de bondade e o ato de covardia pronunciado no medo.
Eu sou as paixões vividas, os suspiros e arrepios que me fazem vibrar e sentir-me vivo.
Não escondam de mim as essências, pois estou farto dos rótulos grudados nas faces bem postadas.
Eu não sou os conceitos e definições que fazem de mim com adjetivos arranjados.
Tudo que aprendi não é mais que bolhas de sabão flutuando no ar que encanta com sua sintilancia para desaparecer logo em seguida.
Se não sabes, é isto que somos, bolhas de sabão flutuando no ar.
Walterli Lima





