Em uma entrevista emocionante concedida ao apresentador Genivaldo Cobra, no quadro Conversa Franca do programa Comando Geral (TV Cidade), o cantor, compositor e empresário Paixão Novaes abriu o coração sobre sua jornada de superação.
Dos palmeirais de Codó para os grandes palcos do Maranhão, a história de Paixão é um testemunho de resiliência e gratidão.
Raízes e superação
Nascido no povoado Riacho Seco, zona rural de Codó, Paixão recordou com orgulho sua origem humilde no povoado Taboca para onde mudou logo após o nascimento.
Ali, testemunhou a luta de sua mãe, lavradora e quebradeira de coco babaçu.
“Minha mãe fazia tudo que era braçal, cara”, desabafou o artista ao relembrar o esforço materno para sustentar a família.
A virada em sua vida começou no povoado Barro Vermelho.
Devido a uma deficiência física que o impedia de seguir o pesado trabalho na roça, o então patrão de seus pais, Expedito Barnabé, interveio com um conselho profético: o jovem precisava ir para a cidade estudar.
“Tenho o saudoso Expedito e sua esposa como meus segundos pais. Foram as pessoas que me deram a oportunidade para eu vir para a cidade e me tornar quem sou hoje”, pontuou Paixão.
O Despertar do talento
Já na cidade, enquanto cursava o ensino fundamental, Paixão trabalhou como vendedor de fitas cassetes e chaveiro.
O contato definitivo com a música veio na 5ª série, durante o aniversário de Codó, quando recebeu a missão de criar uma paródia de um sucesso de Zezé Di Camargo & Luciano e Julio Iglesias.
Mesmo nervoso, subiu em um mini trio elétrico e soltou a voz pela primeira vez cantando os versos que compôs:
“Amigo, eu vim aqui te convidar, pra juntos a gente ir comemorar. Comemorar a dois é bem melhor, uma festa como essa de Codó…”.
A Construção de um Legado: do Show de Calouros à Banda Fruta Nativa
A carreira profissional começou a ganhar forma após um terceiro lugar em um show de calouros com 80 competidores, organizado por Alberto Barros na Rádio Cidade FM.
A partir daí, Paixão passou pelas bandas de Waltinho Zaidan e pelo esquema de Assis Seresteiro, onde conheceu parceiros fundamentais como o tecladista Adean e o guitarrista Félix.
Após uma breve passagem por um projeto de Bita do Barão, sob direção de Acélio Trindade, Paixão e Adean decidiram seguir o próprio caminho, movidos pela necessidade de sobrevivência.
“Os caras tinham a música como hobby, nós tínhamos como sobrevivência”, relembrou.
Ao lado de Félix, montaram um repertório “reciclado” para a noite codoense. Ali nascia a Banda Fruta Nativa.
O que começou como um trio tornou-se, por mais de duas décadas, uma das maiores potências musicais do Maranhão, emplacando sucessos autorais como “Vem Menina” e “Nem, Nem”.
Novos Horizontes
Após 21 anos à frente da Fruta Nativa, Paixão Novaes decidiu seguir um projeto pessoal amadurecido durante a pandemia.
“Passei, praticamente, 22 anos na Banda, mas aí veio a questão da pandemia, foi ruim para mim e foi ruim para o Félix, o setor musical parou. O que a gente tinha, a gente gastou naquele período ” , recordou.
Hoje, ele comanda a banda Vem Menina, batizada em homenagem ao seu grande sucesso, continuando a escrever sua história como um dos maiores nomes do entretenimento regional.





